sexta-feira, dezembro 30

Olímpio Ferreira

Faz hoje quatro anos que deixou de estar entre nós Olímpio Ferreira, um dos melhores livreiros que conheci. Foi muitas outras coisas, mas sempre, e em todo lado, exemplar enquanto homem, amigo e colega.

Jaime Bulhosa

quarta-feira, dezembro 28

Pobre poeta




Sou um poeta… artista. Tenho a certeza que o sou. Li todos os grandes poetas e não me considero inferior. Falta-me um golpe de sorte, alguém com sensibilidade capaz de entender a minha poesia. Das sete artes aquela a que me dedico com maior paixão e ardência. Caminho sem ter noção do tempo. Uma perna a seguir a outra. De olhos no chão, esbarro constantemente contra os outros transeuntes, distraído com os meus pensamentos. Os poemas de amor estão-me constantemente a latejar no cérebro, a imaginação flui e à minha musa, ao meu amor, à minha Rosa Maria, os quero dedicar plenamente. Ser feliz é viver morto de paixão.*1
Não sei que raio de azar é o meu, por infortúnio ou destino, a verdade é que até hoje nenhum editor reparou em mim. Não sou jovem, longe disso, tenho quase quarenta anos e uma vida inteira consagrada à poesia, tirando o tempo que passo no escritório a rabiscar facturas, uma atrás da outra. Sem poesia não há amor e com o amor a poesia nasce naturalmente. É pela palavra que o bem-querer deve ser demonstrado. Não desisto. A responsabilidade de vencer e de não errar é para com aqueles que amamos. Escrevi uns livros, edições de autor, bem sei… talvez não seja bastante… talvez não chegue a imortal com pequenas edições de autor... Mas quantos homens deixaram maior marca do que aquela que deixa uma gota de chuva no meio de um oceano? E o que é o reconhecimento público comparado com o sorriso do meu amor quando lhe atinjo o coração pelas palavras? O homem que vive na indiferença é aquele que não ama. Uma vez que o meu coração está vivo, viverei mais que o suficiente: Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer é que te amo? *2


Tu já tinhas um nome, e eu não sei
Se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor. *3


Cheguei. Encontro-me em frente da livraria Balzac, onde deixei o meu livro. Pergunto-me: porque que será que as livrarias têm quase sempre nomes de escritores ou apelidos de família? Não deveriam ter nomes mais poéticos?
Entro na livraria, parece mais um alfarrabista do que uma livraria, cheia de livros velhos e com pó e as estantes com caruncho. Ora, aqui está um bom nome para uma livraria. Ah, a minha veia poética! Um dia alguém ainda se lembrará de dar o nome Pó dos Livros a uma livraria.
Sou recebido, de imediato, pelo livreiro sisudo. Dá-me a sensação de que já não se recorda de mim. Cumprimento-o:
- Bom dia. Não se lembra de mim?
- Bom dia. Não… desculpe mas não. Em que posso ser-lhe útil?
- Eu sou autor de um livro. Há uns meses deixei, nesta livraria, uns exemplares à consignação. Gostaria de saber quantos exemplares já se venderam?
- Como se chama?
- O meu nome ou o pseudónimo? É que tenho vários.
- Não, referia-me só ao título do livro.
- Ah! O título do livro é Sentimento Inescrutável.
O livreiro fez um ligeiro esgar, talvez reconhecendo em mim um estereótipo e observa:
- Deixe-me adivinhar: é poesia?
- Sim, é uma dedicatória ao amor. – Digo com orgulho.
De seguida, o livreiro pesquisa no computador em busca do título do livro e num instante:
- Aqui está! Infelizmente, não se vendeu nenhum e, mantêm-se os seis exemplares que cá deixou. Quer que os devolva?
Fiquei surpreendido com a resposta. Não por não ter vendido nenhum, já estava acostumado. O eco que um livro de poesia provoca, num mundo de ignorantes insensíveis, não é maior do que aquele que uma pena provoca quando cai do cimo de uma montanha. Contudo, não podia ser… tinha de haver algum engano. Sem perder tempo, cabisbaixo, esclareço:
- Não, deixe-os estar, pode ser que um dia lhes dêem valor. Todavia, deve haver algum equívoco, eu apenas deixei cinco exemplares.
O livreiro encolhe os ombros. Parecia habituado a estas situações.
- Vamos confirmar. E voltando-se para o colega no fundo da livraria, onde se encontravam, menosprezados, os livros de poesia, pergunta-lhe:
- António! Vê aí, por favor, na secção de poesia quantos exemplares temos do livro, Sentimento Inescrutável?
A procura não foi fácil, o segundo livreiro não fazia a mínima ideia onde poderiam estar os meus livros. Percorreu todas as estantes da secção de poesia e nada… ao fim de alguns minutos confrangedores, escondidos por detrás de outros livros, longe da vista de qualquer apreciador de boa poesia, lá os encontrou:
- Seis exemplares. – Disse.
- Meu caro senhor, confirma-se.
Novamente fiquei incrédulo.
- Não pode ser… de maneira nenhuma! Reforço, tenho a certeza de que só deixei cinco exemplares.
O livreiro, agora mais afável, mais humano, como se estivesse com pena de mim, diz:
- Desculpe, não leve a mal, mas provavelmente alguém veio aqui deixá-lo ou trocá-lo por outro. Quem sabe!?... É mais comum do que possa pensar.
Eu sabia que não era um poeta famoso. No entanto, achei estranho, ofensivo, que alguém pudesse, depois de ler o meu livro, abandoná-lo numa qualquer livraria. Afinal de contas tratava-se de um livro sobre o verdadeiro amor, poesia, a arte suprema. Só podia ter sido alguém sem o mínimo de sensibilidade, iletrado, bruto. Enquanto pensava nisto, do fundo da livraria o outro livreiro interrompe:
- Temos aqui um dos seis exemplares dedicado pelo próprio autor!
De impulso viro a cabeça, curioso, e digo expectante com o peito vazio:
- E o que diz, homem!?... O que diz?
E oiço, enquanto era levado pelas vagas de um tsunami:
- Para a Rosa Maria, rainha de todas as flores, de aromas de concupiscências mil. Para o meu amor, porque sem ti não teria sido possível escrever este livro (…).

*1 – Vinicius de Morais
*2 – Fernando Pessoa
*3  – Madrigal, Eugénio de Andrade

Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 27

Nada



Um homem miserável e andrajoso, que muito parecia um indigente, penetrou um dia no palácio do Rei do Faz-de-Conta, na ausência deste, atirou-se sem meias medidas para o trono vazio. Os guardas, adivinhando qualquer coisa de insólito, quiçá sobrenatural, não se atreveram a expulsá-lo. Chamaram o camareiro-mor que acorreu e perguntou ao homem esfarrapado:
- Sabes tu que estás a ocupar o assento do Rei, que é o Comendador dos Crentes?
- Sim, sei.
- E sabes quem é o Rei?
- Sei e estou acima dele.
O camareiro-mor ficou um instante a pensar e sem saber o que fazer decidiu chamar o Santo Inquisidor. O inquisidor, um homem habituado a extrair a verdade através dos métodos da retórica e lógica, auxiliado por alguns instrumento de persuasão de bruxas e hereges, com um ar terrível, alteando a voz, disse:
- Perdeste a inteligência por causa da tua pobreza? Não sabes que acima do Rei só há Jesus Cristo?
- Sei – disse o desgraçado.
- E sabes quem é Cristo?
- Sei e estou acima dele.
Os guardas parecem escandalizados. Levantam as armas para as abater sobre o intruso que parecia completamente calmo e seguro de si. O inquisidor deteve-os com um gesto e fez uma última pergunta:
- Não sabes que acima de Jesus Cristo só há Deus?
- Sei – disse o desgraçado.
- E sabes quem é Deus?
- Sei e estou acima dele.
- Acima de Deus? Vês bem o que estás a dizer? Mas nada há acima de Deus.
- Eu sei – disse o homem esfarrapado, sem se mexer do trono. – E, precisamente, eu sou esse nada.

Nota: a partir de um conto da Idade Média.

quarta-feira, dezembro 21

quinta-feira, dezembro 15

A Queda




Naquele dia tinha tempo. Estava à espera que chegasse a hora da consulta ao cardiologista. A minha vida era um inferno, desde que fiquei gravemente doente e só. Tudo depois da minha mulher me ter abandonado. De qualquer forma ela era uma cretina. É sempre melhor ficar velho, desgarrado, sem filhos, amigos ou companheira do que aturar aquela mulher. Sabia que minha vida se exauria, com o coração fraco, sentia-me miserável, com raiva e não gostava de ninguém. Pensava nisso, quando esbarrei contra a porta de uma livraria. Já por várias vezes a tinha avistado de longe e passara junto dela uma ou duas vezes, sem nunca ter tido vontade de lá entrar. Por acaso, o consultório do médico ficava ali ao lado. Olhei para cima, sem muito interesse, para tentar ler na placa o nome da livraria; impossível, as letras estavam gastas pelos anos e intempéries. Depois, reparei que na montra estava um gato persa, cinzento e branco que dormia, serenamente, em cima dos livros, como muitas vezes se vê nas lojas típicas, da cidade de Paris. Toquei primeiro ao de leve no vidro, depois com firmeza, na esperança que o bicho desse um pulo de susto, nada… Foi mais pelo gato que pelos livros que entrei. Não havia nenhum objectivo concreto, era só para matar o tempo. Assim que abri a porta uma sineta tiniu uma nota plangente, prevenindo com o som a minha chegada. Não vi ninguém, nem livreiro nem clientes e um silêncio de presbitério enchia o espaço. Imediatamente me apercebi que aquela não era uma livraria comum, como tantas outras, indefinidamente iguais e onde se vendem sempre os mesmos livros. A sala surpreendeu-me pelo tamanho, tendo em conta a sensação de exiguidade que dava o edifício visto de fora. O cheiro característico dos livros. As estantes colossais de madeira verdadeira, provavelmente de carvalho, erguiam-se pelas paredes ao longo de um pé-direito de pelo menos cinco metros. Havia livros até ao cimo, destacava-se no tecto uma clarabóia redonda de vitrais pitorescos que iluminavam a loja com colorações maravilhosas, dando-lhe um ambiente extraordinário, de biblioteca, sublime, honorífica, como numa fantasia de Hollywood. Os livros todos encadernados em pele, como os livros antigos, sem nenhum tipo de gravura nas capas. Ao fundo da livraria ou da biblioteca, agora já não tinha a certeza, havia uma escadaria que bifurcava em duas plataformas de metal junto às estantes, circundando a sala em forma de elipse, dividindo-a em dois andares. As mesas maciças cheias de livros que não destoavam dos outros. Peguei num livro ao acaso, cujo título e autor não me diziam nada, Zadig ou o Destino, de Voltaire. Abri-o e fiquei admirado quando verifiquei que todas as suas páginas estavam em branco. Abri outro que estava mesmo ao lado, por mera curiosidade, O Ingénuo, novamente de Voltaire, e… em branco. O Crime e Castigo, e O Idiota, de Dostoiévski e outro, e outro, e outro… excepto as capas que exibiam os títulos e autores estampados a dourado, os livros estavam todos em branco.
Enquanto, atónito, cogitava sobre a inutilidade dos livros, surge por detrás de uma porta, quase invisível, forrada com papel a imitar livros, um homem que supus ser o dono ou o bibliotecário.
Sobressaltei-me com o aparecimento repentino daquele indivíduo invulgar. Mais ou menos da minha idade, de cabelo imensamente preto, parecia pintado, muito ralo e penteado de forma a tapar a calvície. As orelhas peludas, uma maior que a outra. Um nariz, proeminente, ampliado pela alta estatura e magreza do corpo, enfarpelado com uma casaca negra comprida. Os olhos ensanguentados dirigiram-se a mim.
- Em que posso ser-lhe útil? – Perguntou, colocando as duas mãos escanzeladas sobre o balcão.       
Sem saber bem o que dizer, pois não tinha entrado ali por estar interessado em livros, longe disso, decidi a contragosto, impelido pelo ambiente que me rodeava, fazer uma pergunta:
- Estamos numa biblioteca ou numa livraria?
Responde-me, enigmaticamente, com outra pergunta:
- Faz alguma diferença para si?
- Não. Quer dizer… Faz! Se for uma livraria vende livros, certo?
Olhou para mim, como se tivesse percebido perfeitamente que eu não era um leitor habitual e disse:
- Em todo o caso não fará nenhuma diferença para si. Todos os meus livros estão completamente em branco.
Sem demonstrar muita surpresa, pois eu próprio já o tinha confirmado, pergunto:
- Então, para que servem todos estes livros?
- Os meus clientes conhecem, perfeitamente, o conteúdo dos livros que compram, não necessitam de os ler, já o fizeram antes. No entanto, aqueles que honram e merecem os meus livros podem sempre reescrevê-los. A leitura que se faz de um livro é sempre diferente, depende da pessoa e da idade com que se lê.
- Ah! – Exclamei, como se o tivesse apanhado em falta. E com algum sarcasmo disse:
 – Isto não é nem livraria nem biblioteca, mas uma papelaria requintada. – Ri, de boca fechada, para não se notar muito que estava a saborear o momento.
Sem mudar de expressão e condescendente, o homem responde:
- Os meus clientes não vêm cá, exactamente, para comprar livros. Vêm para comprar outra vida. Esta é uma casa encantada e os livros são mágicos por definição. Os leitores, aqueles que amam verdadeiramente os livros, têm através deles uma segunda oportunidade, uma segunda vida. Ao elegerem um livro dá-se uma metamorfose física e moral, fantástica, portentosa, perfeita, acontece assim que saem por aquela porta, não me pergunte porquê. Porém, é a mais pura das verdades. Encarnam a personagem principal do livro, tão intensamente, que o que é ficção passa a ser realidade. Quão bela pode ser a fantasia quando tomada por verídica. Não acha?
Deu-me vontade de rir. É ridícula a maneira como os livreiros são capazes de enfatizar, efabular a leitura. Resolvi ripostar:
- Ah, ah, ah, é claro! Sem qualquer dúvida. – Digo ironizando – Mas sabe o que penso disso!?... Os livros já passaram de prazo e foram escritos, na sua grande maioria, por pessoas que já morreram ou por quem nada tem a acrescentar. Ler é viver a vida dos outros e não ter vida própria. Ler requer tempo e o tempo nos dias de hoje é um luxo. A verdadeira sabedoria está na experiência da vida per se e não nas sumidades da enciclopédia. A escrita é um simulacro da fala que parece muito útil para a memória, o saber, a imaginação, mas que acaba por ser contraproducente. As pessoas confiam nela e não desenvolvem a suas próprias capacidades. Se quer saber, acho que as pessoas lêem demais. Antes de lerem um livro, deveriam reflectir sobre se esse livro irá de facto melhorar a sua vida; é que a grande maioria deles não melhora.
O livreiro manteve-se impávido. Obsequioso, diz:
- Há alguma verdade no que disse, de facto existem alguns livros que não melhoram a vida das pessoas, até pelo contrário. Contudo, a opção é sempre pessoal, a felicidade é dever exclusivo de cada indivíduo, depende só de nós e nunca dos outros. Mas… cuidado! A ignorância praticada de livre e espontânea vontade é o maior dos erros. O perigo não está em ler muitos livros, mas sim em ler apenas um.

Encolhi os ombros em sinal de desprezo. Estava na hora da consulta, tinha que me retirar, mesmo assim, decidi comprar um livro que estava em cima do balcão, com um título que li de relance e que me pareceu adequado à situação bizarra: qualquer coisa que tinha a ver com uma comédia. O livreiro sorriu, maliciosamente, enquanto me dava o troco. Virei-lhe as costas sem me despedir e a sineta tiniu novamente com a porta a fechar-se atrás de mim.
Ainda não tinha dado um passo na rua quando senti uma pontada no peito e uma enorme atroada se deu sob os meus pés. Sinto a superfície a tremer, abriu-se uma fenda no chão e, de repente, tudo à minha volta desaparece, os prédios, os carros, as pessoas, como se tivessem subido aos céus. Enquanto caía a grande velocidade, num movimento circular, por uma espécie de fossa em forma de cone invertido, comecei a ouvir gritos de dor e sofrimento misturados com sons de furacão. Vejo seres mitológicos, um com três cabeças, meio cão, meio dragão e com cauda de serpente. Cascatas e rios de água com sangue borbulhante, fervente. No centro de uma muralha de ferro e de um fogo intenso, vejo mil anjos caídos. Começo a acreditar que o livreiro me tinha dito a verdade. Lembrei-me do livro que tinha comprado. Tentei ler novamente o título e o autor, para tentar perceber o que me estava a acontecer: Dante Alighieri, A Divina Comédia; fiquei na mesma…
Continuei a cair, a cair, durante uma eternidade, pela cova sombria, envolto numa tempestade de gelo e neve que ia arrefecendo, cada vez mais, à medida que se aproximava do centro da Terra. Bati no fundo, atordoado, no meio de um lago gelado. Olhei em volta horrorizado e li, em letras miúdas, o subtítulo que me tinha escapado à primeira:
Parte I, O Inferno.  

Jaime Bulhosa

segunda-feira, dezembro 12

Imbeciclopédia XXVIII




Países com mais porcos que humanos:

  1. Dinamarca –  porcos: 12.984.944 / humanos: 5.364.000
  2. Samoa – porcos: 201.000 / humanos: 178.000
  3. Ilhas Wallis e Futuna – porcos: 29.000 / humanos: 14.000
  4. Tuvalu – porcos: 13.200 humanos: 10.000

Nota: População mundial de porcos 956.016.932. Em Portugal não se faz ideia da população de porcos, mas calcula-se em muitos.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAOSTAT, 2003. 

Um amigo



Era considerado um dos escritores mais inspirados do século. Os seus romances e escritos despertavam as emoções mais fortes nos corações das damas e os ímpetos mais corajosos e nobres dos Cavalheiros da corte. Os encómios dos críticos eram uma constante e os seus pares elevavam-no ao estatuto de sumidade. Um séquito de admiradores seguia-o para todo o lado, bajulando-o constantemente.
Mas, como se afaz dizer, nada é perfeito. Amiúde a vida do nosso escritor não era fácil. No seu quarto vivia um rato, que embora minúsculo como um rato, de tamanho igual ou superior à inteligência do seu companheiro. 
Durante a noite, enquanto o escritor gozava do descanso merecido, o roedor saciava a fome de leitura e do estômago com os textos que o famoso escritor produzia durante o dia. Todavia, era sempre criterioso em relação àqueles textos que escolhia para refeição. 
Este rato era a desgraça do nosso escritor. Já tinha experimentado tudo. Porém, nada havia resultado. Nem mesmo um gato vigilante conseguia chegar-lhe ao pêlo nem as mais estranhas invenções, as mais variadas e engenhosas ratoeiras, conseguiam evitar a destruição de páginas inteiras de prosa escrita no mais doce papel. O desventurado escritor via-se obrigado a reescrever, continuamente, os textos perdidos, sem nunca os conseguir voltar a reproduzir na perfeição. Certo dia o escritor decide, como última e desesperada tentativa, passar a escrever poesia em vez de ficção. Na esperança que o rato não gostasse do género e o deixasse, definitivamente, em paz. Entusiasmado, inspirado, com tal ideia, escreve num só dia um livro inteiro. Jamais alguém terá escrito algo tão grandiosamente semelhante, os mais belos poemas foram escritos neste glorioso dia, nem mesmo Petrarca terá conseguido constituir tamanha beleza, pensou o escritor. O ego, inchado, fazia-o escumar de soberba. Extenuado, dorme feliz com a reflexão.
No dia seguinte, quase sem acreditar no que os seus olhos viam, seco como uma carcaça de pão de véspera, jazia, em cima de um dos seus poemas, o pobre rato.
- Finalmente morreste, maldito! – Disse o poeta – Que sorte a minha que o tempo não te chegou para roeres o meu primeiro verso.

No entanto, a vida tem revezes inesperados. Reza a história que nunca mais o escritor teve sucesso. Nem na prosa, ainda menos na poesia. A desgraça, miséria e solidão foram, desde aí e para sempre, as suas únicas companhias.
Anos mais tarde, ao perguntarem-lhe qual teria sido a causa da desdita sorte e depois de muito ter reflectido sobre a pergunta, terá respondido:

- Reconheço que matei o meu melhor amigo e mais exigente crítico, tão-somente com um mau poema.

Nota: esta história foi inspirada numa fábula da literatura espanhola.

Jaime Bulhosa

Memórias da II Guerra Mundial



Enquanto primeiro-ministro da Grã-Bretanha entre 1940 e 1945, Winston Churchill não só foi o maior líder da II Guerra Mundial mas também a voz desafiadora mais eloquente do mundo livre contra a tirania nazi. Os relatos épicos de Churchill desses tempos, extraordinários pela acutilância, são aqui reunidos num único volume. Esta obra vital e reveladora retém o drama, os detalhes observados em primeira-mão e a prosa magistral dos seus clássicos 6 volumes de história, oferecendo uma valiosa perspectiva de eventos fulcrais do século XX. A história de Churchill da II Guerra Mundial é, e será, a obra definitiva. Lúcido, dramático, extraordinário, quer pelo seu fôlego e profundidade, quer pelo seu sentido de envolvimento pessoal, este livro é universalmente reconhecido como uma magistral reconstrução histórica e uma duradoura obra de literatura.

edição: Texto
título: memórias da II Geurra Mundial
autor: Winston Churchill
tradução: Manuel Cabral
n. pág.: 1046
isbn: 9789724744483
pvp: 37.90€

sexta-feira, dezembro 9

O sótão


                                                                                           Desenho de Heinrich kley

“Fé” significa não querer saber o que é a verdade.
Friedrich Nietzsche


O sótão de uma velha casa é sempre um dos lugares preferidos para as crianças brincarem. Não só pelo facto de se estar longe dos olhares indiscretos dos adultos, mas também por ser um sítio onde normalmente se podem encontrar monstros, fantasmas, assombros e uma panóplia de objectos esquecidos, velharias sem uso, brinquedos antigos e quinquilharias variadas. Não há nada melhor para o despertar da imaginação de uma criança do que um sótão sombrio, poeirento e assustador. Mais ainda quando é habitado por animais repelentes, como osgas paralisadas, hibernadas, de cabeça para baixo, de olhos redondos, fixados em nós, negros, penetrantes que se negam a mexer, mesmo, quando nos aproximamos; aranhas suspensas no ar, correrias de centopeias a fugir dos ratos e outros insectos que voam e se agarram à nossa cara assim que lá entramos.
Antes de vos contar o estranho fenómeno passado no sótão de minha casa, no longínquo ano de 1974, deixem-me descrever melhor o cenário. Não era fácil o acesso ao sótão. Para lá entrar tinha que ir por um esconso arrumo, trepar por uma corda com os pés apoiados na parede e passar por uma abertura, quadrangular, estreita, no tecto. Não havia escadas, ausência que o transformava num lugar pouco frequentado por adultos mas muito mais desejado por mim. O sótão tinha, juntamente com as velharias, uma estante de livros enorme, mais comprida do que alta, horrorosa – achava eu na altura –, de madeira trabalhada, escura, forrada por um papel gasto, comido pela traça e estampado com cornucópias vermelhas e brancas. A estante estava preenchida com uma colecção de livros, excluídos, banidos, como se pertencessem ao Index Librorum Prohibitorum – o livro dos livros proibidos –, longe de todas as curiosidades perversas. Mais tarde, perguntei a meu pai porque razão se encontravam aqueles livros escondidos. Nunca obtive resposta e ainda levei uma reprimenda por mexer onde não devia. Tenho hoje a suspeita que seria por um motivo muito complexo, de índole erótica ou religiosa que ultrapassava a minha compreensão. Seja lá qual tenha sido a razão, a verdade é que o meu pai achava que esses livros não deviam estar na sala. O sótão era como se fosse uma espécie de Biblioteca Apostólica Vaticana. – Biblioteca onde existe a maior colecção de livros sobre sexo no mundo, vá-se lá saber porquê…
Apesar de os livros serem, de todos os objectos existentes no sótão, aqueles que menos vontade tinha de descobrir, foi, exactamente, um livro esparramado no meio do chão que me chamou à atenção. Um livro no chão era coisa que não podia ser. Apenas me era permitido deixar descuidados os meus próprios livros. Aos outros podia tocar-lhes, folheá-los, com cuidado e técnica apropriada para o efeito e que o meu pai, repetidamente, me ensinava. A técnica consistia no seguinte: primeiro apoia-se o livro com a palma da mão, neste caso a mão esquerda, depois com os dedos indicador e polegar, da outra mão, agarra-se no canto superior direito da página e percorre-se pelo lado oposto da folha no sentido descendente, de forma suave, até à outra ponta junto à costura. Dessa forma evita-se o perigo de dobrar ou rasgar as folhas. Sabendo muito bem o cuidado que o meu pai dedicava aos livros e quanto o irritava ver os seus livros mal tratados ainda para mais sendo esse livro a Bíblia Sagrada, achei melhor apanhá-la e voltar a colocá-la no sítio de onde, provavelmente, teria caído. Depois virei as contas à estante e de olhos bem abertos, por causa da escassa luz, circundei o sótão em busca de algo mais interessante com que brincar. Encontrei um velho gira discos e logo me ocupei a rodar o prato com o dedo, enquanto imaginava dar a volta ao mundo. Depois encontrei uma moldura muito antiga, com uma fotografia de um velho, antepassado de meu pai, tão velho quanto a moldura. Se calhar não era assim tão velho, mas o bigode enrolado e a roupa do início do século passado, transforma, à luz dos nossos actuais parâmetros, qualquer pessoa num velho. O semblante daquela pessoa estava carregado, como se estivesse zangado. Fez-me lembrar um retrato de Velázquez, porque as suas personagens se assemelham sempre a alguém que conheço. As fisionomias dos habitantes do passado repetem-se no futuro. – Teria que perguntar quem era ao meu pai –. Fazia isto quando, ouvi atrás de mim, inesperadamente, um som surdo que me fez saltar de medo e dar dois gritos. Um pelo susto e outro por ter batido com a cabeça nas telhas. O sótão quase não tinha altura suficiente para um adulto andar corcunda; de maneira que não foi preciso muito para o acidente acontecer. Mas, felizmente, tudo não passou de mais um galo na cabeça que eu cocei, num misto de dor e admiração, depois de ver a bíblia outra vez no chão sem que ninguém lhe tivesse tocado. Passado o primeiro momento de perplexidade pensei que a teria arrumado de forma desleixada. Peguei na bíblia e voltei a colocá-la no lugar. Antes de me virar esperei uns segundos para me certificar de que não voltava a cair. De repente, por artes mágicas ou vontade divina, como se tivesse sido impulsionada por uma mola invisível, a bíblia salta para fora da estante e estatela-se no chão. Aterrorizado, dei um salto para trás e pensei que o meu sótão estava assombrado. Passado o susto inicial, raciocinei: não, espera aí… tem de haver uma explicação científica, a razão deve prevalecer sobre a crença. – Tinha eu aprendido na escola e não na catequese –. Aproximei-me da estante para observar melhor; olhei por baixo, por cima e nada… Nada de mola ou qualquer outro dispositivo visível. Apenas livros que para mim não tinham nenhuma diferença dos livros da sala, a não ser aqueles com fotografias de mulheres nuas. Reparei também nalguns títulos e nomes de autores que eu, na época, não fazia ideia de serem heréticos. Sem qualquer explicação lógica, voltei a colocar, a medo, a bíblia no lugar. E… de novo, salta da estante, voltei a pô-la no sítio, outra vez o mesmo, infinitamente, agora sem medo, repeti a brincadeira, gargalhando alto até perder a graça por cansaço.
Resolvi tomar medidas drásticas. Tive uma ideia peregrina, diria mesmo milenar. Peguei em dois pregos grandes e num martelo que por ali se encontravam perdidos e preguei, literalmente, a bíblia teimosa ao móvel. Fiquei expectante a ver o que acontecia. De início nada… pouco depois, a estante começou a tremer, como se de um terramoto se tratasse, parecia que a qualquer momento iria explodir. Fugi, rapidamente, para um canto do sótão, coloquei os braços e as mãos de forma a proteger a face, e… vi, maravilhado, todos os livros, num movimento em forma de leque, e cores do arco-íris, voarem para fora do móvel. Rodopiaram, sobre a minha cabeça, a um metro do chão, várias vezes, até que caíram com um imenso estrondo que ecoou por toda a casa. Ainda tonto, de rabo no chão, sacudo a cabeça aparvalhado com o que acabava de assistir. Para além dos livros todos espalhados pelo sótão, espanto dos espantos, a bíblia continuava presa ao móvel vazio, como se estivesse a fazer pouco de mim.
É claro, levei duas palmadas, uma pelos livros espalhados e outra pelas chagas provocadas na bíblia. Fiquei vários dias de castigo e proibido de entrar no sótão por uns tempos. Apesar de ter insistido com o meu pai, veementemente, na tentativa inútil do esclarecimento do acontecimento insólito:
- Que lindo serviço arranjaste! Estás sempre a meter-te em sarilhos. – Disse o meu pai, azedado.
- Não fui eu, pai! Os livros bateram as folhas e voaram sozinhos, tal e qual os morcegos do sótão.
- Claro! Está-se mesmo a ver... E a bíblia também se pregou sozinha ao móvel?
Estive quase para dizer que também Cristo tinha sido cravado na cruz e por vontade própria. Mas engoli em seco e tentei mudar de assunto:
- Mas, meu pai… por enquanto não há explicação racional, científica que possa explicar o fenómeno. No entanto, cumpre-nos, pois, procurar a verdade e avançar na ciência do desconhecido. – Disse eu convictamente. Infelizmente, para mim, o argumento não vingou. É como se tivesse dito que tinha visto um disco voador, nunca ninguém acredita. Porém, se dissesse que tinha visto, ajoelhado, com muita luz a Nossa Senhora, tinha sido milagre e virava beato canonizado. Foi melhor assim...
Desde esse dia tornei-me agnóstico descrente. Tive dúvidas: será que foi Deus que recusou os livros ímpios ou, pelo contrário, terão sido os livros ímpios a rejeitar Deus?
Mais tarde voltei a entrar no sótão, ainda lá se encontrava a estante cheia de livros, a Bíblia Sagrada nem vê-la e, por isso, tudo estava de acordo com as leis da natureza, imóveis e no seu devido lugar, as velharias, as osgas e os livros.

Jaime Bulhosa


António Pinto Ribeiro

Hoje, 09 Dezembro, às 18h30, sexta-feira: Lançamento do livro, Questões Permanentes, de António Pinto Ribeiro, edição Livros Cotovia, apresentado pela professora Helena Buescu e Tiago Bartolomeu.

Pó dos livros fora de portas

Feira do Livro do Desenvolvimento 
De 5 a 10 de Dezembro no CIDAC
O que é “desenvolvimento”?
Desenvolvimento para quem e por quem?
O desenvolvimento é estritamente definido como crescimento económico?
Mas... o que se publica... em língua portuguesa sobre o desenvolvimento... internacional, nacional, local?

A Feira do Livro do Desenvolvimento organizada pelo CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral em conjunto com a Livraria Pó dos Livros, tem como objectivo dar a conhecer o que se publica em português sobre o desenvolvimento.
Tem à sua espera mais de 120 obras de, diferentes organizações, entidades públicas e editoras portuguesas que trabalham na área do desenvolvimento, nas suas várias vertentes: internacional, nacional, local, ambiental, social, económica.
Convidamo-lo/a a mergulhar nesta iniciativa
o ponto de encontro é
na Rua Tomás Ribeiro, nº 9 (perto da estação de metro de Picoas)
de 5 de Dezembro a 10 de Dezembro de 2011 das15h às 19h

quarta-feira, dezembro 7

Escritor



Apesar de sermos uma livraria, há muita gente que nos confunde com uma editora. Isso faz com que nos enviem manuscritos originais, na esperança de que sejam lidos e editados. Eu, obviamente, não quero desencorajar ninguém. No entanto, e pelo que me tem sido dado a observar, a grande dificuldade não está em ser editado, embora seja um passo importante, mas sim no que se segue:

Desde há uns anos que frequentava o meio, conhecia e falava com muitos escritores. Alguns consagrados, outros não tanto; contudo, todos já tinham livros editados. Sempre que podia, trocava impressões sobre aquilo que eles escreviam e aproveitava para mostrar o que eu escrevia. Eram sempre simpáticos, demasiado simpáticos, falavam comigo como alguém que pertencesse a uma classe social superior; sempre obsequiosos, condescendentes, com medo de descer ao nível do interlocutor. Agora sim, iriam ouvir falar de mim e eu alcançarei, merecidamente, o mesmo patamar.
Estava sentado em frente ao meu editor. A persistência foi recompensada: o desejo de me tornar num escritor editado seria realizado.

- Não imagina... Cheguei a passar, não poucas vezes, por depressões, conflitos internos que levaram a minha auto-estima a cair para zonas que a psicanálise quase não conseguia recuperar. Pudera, depois de tantos anos de manuscritos recusados... Cheguei a pensar em desistir e achei que nunca iria editar um livro. Evidentemente, ainda sou jovem para escritor e há inclusive quem diga que não se deve escrever um romance antes dos quarenta anos, ou pelo menos só depois de ler os clássicos, porque pouco mais será do que citar fragmentos de outros livros. Mas o impulso, a vontade, o prazer da escrita foram mais fortes do que eu. Não podemos desejar, logo à primeira, uma obra-prima. Estas demoram uma vida inteira a serem escritas. Por isso, desta vez, não fiz nada ao acaso. Enviei o manuscrito só para a sua editora, que tem um catálogo de qualidade e onde o meu livro encaixa perfeitamente.
- Fez bem, de facto gostamos muito do seu livro. É um texto muito original, com uma trama intensa e escrita escorreita, com personagens bem construídas. Enfim, a prosa excelente de um verdadeiro escritor de fundo, com uma qualidade que, nos dias que correm, raramente encontramos. Foi por isso que decidimos publicá-lo.

Desde que recebi a notícia de que o meu livro iria ser publicado não parei de sonhar com o meu nome nos jornais, nas revistas, na televisão, até com a adaptação para o cinema.
- Sabe, há muito tempo que desejo dedicar-me inteiramente à escrita - confessei.
- Como?
- Sim, estou a pensar viver só disto, quero dizer, da escrita. Disse-me que os direitos de autor são dez por cento sobre o preço de capa?
- Exactamente.
- Então, é fácil fazer as contas. Se pegarmos num livro semelhante verificamos que o seu preço ronda os dezasseis euros. Multiplicado por milhares, é muito dinheiro.
- Peço desculpa, mas ao dizer-me uma coisa dessas não me parece que faça ideia de qual a tiragem média de um livro neste país. Estamos a falar de mais ou menos 3000 exemplares.
- O quê?!... É essa a quantidade que está a pensar imprimir do meu livro? Não disse que ele era bom? Pareceu-me mesmo ouvir que o adjectivou de excelente...
- Ouviu bem, mas é exactamente por isso.
- Não entendi…
- É melhor ficar sentado, pois não vai gostar do que lhe tenho para dizer. Quando falei em 3000 exemplares, estava a falar de uma tiragem média. A primeira edição do seu livro será de apenas 1000 exemplares e vamos lá ver se não é demais. Se conseguir vender todos no primeiro ano já não era nada mau. Mas é pouco provável. Colocar-se-á pouco mais de metade nas livrarias e devolver-se-á, nos primeiros três meses, trinta por cento da edição.
- Mas esses números são ridículos! Você é um, é um… Com cenário desses, para poder viver da escrita, teria de escrever dez livros por ano. Não lhe parece?!… Eu chegarei ao estrelato! SEU IDIOTA CHAPADO!
- Vou-lhe dizer uma coisa, a maioria dos grandes escritores só chega a ver estrelas depois de levar um par de estalos.
E um som seco ecoa pela sala. Pás! Tás!


-Jaime Bulhosa

terça-feira, dezembro 6

Curso de literatura portuguesa

Hoje, terça-feira, 06 dezembro, às 21h00, realizar-se-á na Pó dos livros a sessão de encerramento do curso de literatura portuguesa. Os participantes irão partilhar com o grupo os seus livros e/ou autores preferidos.

quarta-feira, novembro 30

Queres vir brincar às caçadinhas?

- Queres bir brincar às caçadinhas? (pronúncia do norte).
Se é do norte do país esta expressão é-lhe familiar. Se pelo contrário é do sul, reconhecerá melhor se o dissermos de outra forma:
- Queres vir brincar à apanhada? (pronúncia do sul).
De uma maneira ou de outra, certo é que as lembranças das brincadeiras e jogos da nossa infância, não se desvanecem. Podem até estar ligeiramente apagadas ou adormecidas, no entanto, mal as ouvimos ou as vimos reproduzidas nas crianças, imediatamente viajamos, nostalgicamente, para o passado. Quem não se lembra de jogar à carica, à pulga, dominó, mikado, ou brincar com o yo-yo.
Agora, na Pó dos livros, tem à sua disposição uma colecção extensa, de reproduções exactas, de jogos e brincadeiras, do tempo da Maria Cachucha.  



Jaime Bulhosa

terça-feira, novembro 29

Hoje na Pó dos livros

Conferência e Debate Consumption Seminar Series VI - "Rioting-meets-shopping" and "top-manta harassment": consumption on the margins, new enclosures and the search for a livelihood, por Susana Narotzky, Professora Catedrática da Universidade de Barcelona. Organização Marta Rosales Margarida Marques (CRIA) e  Monica Truninger (ICS-UL).

O Filho do Desconhecido




No final do Verão de 1913, nas vésperas da Grande Guerra, o jovem poeta aristocrata Cecil Valance passa um fim-de-semana em «Dois Acres», a casa da família do seu amigo e colega de Cambridge, George Sawle. São dias intensos para todos, mas é em Daphne, irmã de George, que o seu impacto será mais duradouro, pois Cecil escreve-lhe um poema que virá a tornar-se num marco para toda uma geração. 
As intimidades partilhadas nesse fim-de-semana vão transcender os limites do tempo e dar origem a um mito - e a um segredo de família - que atravessa o século XX.



edição: Dom Quixote
título: O Filho do Desconhecido
autor: Alan Hollinghurst
tradução: Tânia Ganho
n. pág.: 688
isbn: 9789722048057
pvp: 24.50€

sexta-feira, novembro 25

Cretino



Numa tarde sossegada, na livraria, uma mulher resolve partilhar connosco o que pensava do seu “marido” em voz alta. Diz-lhe que é um cretino, um enorme cretino, um gigantesco cretino. É o cretino dos cretinos.
- És tão cretino – diz-lhe ela – que se houvesse um concurso de cretinos, ficavas em segundo.
- Porquê em segundo? – Pergunta o marido, com esta última, de facto incomodado.
- Porque és um cretino! 

Amanhã, na Pó dos livros

                                                             (clique na imagem)

quinta-feira, novembro 24

Apelo à greve



Quem disse que as greves são prejudiciais à economia? 
Hoje, dia de greve geral, estamos a vender como já não se via há muito tempo. Por isso, apelo à greve geral todos os dias, para acabar com a crise.

livreiro anónimo

Debate: «Chavs»: a demonização da classe trabalhadora


«Chavs»: a demonização da classe trabalhadora
Com a participação de Owen Jones
Local: Livraria Pó dos Livros (Av. Marquês de Tomar, 89, Lisboa – localização aqui)
Data: Dia 25 de Novembro, das 18h às 20h
Organização: UNIPOP e livraria Pó dos Livros
Entrada livre.
A partir de uma exaustiva investigação pelos subúrbios londrinos e de um conjunto de entrevistas, o livro Chavs: The Demonization of the Working Class, publicado recentemente pelo jornalista do The Guardian Owen Jones, procura documentar os mitos e as realidades da vida da classe trabalhadora na Grã-Bretanha contemporânea. Crescentemente, uma imagem estereotipada dos trabalhadores mais pobres, sintetizada na designação chavs(«chungas», «mitras», «gandulos»), esconde e justifica a degradação e o desespero de muitas comunidades de trabalhadores, tornadas cada vez mais precárias pelas alterações económicas e sociais dos últimos anos. Jones traça um retrato cru da forma como o ódio e o preconceito de classe contra os trabalhadores foram ganhando caminho por entre o aprofundamento das desigualdades e explica como, ao longo de três décadas, a classe trabalhadora foi passando de «sal da Terra» a «escumalha da Terra». Propomos um debate com o autor em torno do livro, procurando ao mesmo tempo reflectir sobre se o paradigma que ele descreve é ou não generalizável a outras realidades para lá da Grã-Bretanha.
Artigo de Owen Jones publicado no número de Setembro de 2011 do Le Monde diplomatique – edição portuguesahttp://pt.mondediplo.com/spip.php?article841.

Owen Jones é jornalista do The Guardian e publicou recentemente o livro Chavs: The Demonization of the Working Class (Verso Books, Londres, 2011).

NATAL A PREÇOS DA CHINA


A livraria Pó dos livros,  em colaboração com as Edições tinta-da-china, realiza durante o mês de Dezembro uma campanha de descontos, até 50%, nos seguintes livros:


Autores portugueses
O ARQUITECTO                                               
BOCA DO INFERNO                                            
CADERNOS DE BLAUFUKS I                                     
CIDADES SEM NOME                                           
O CROCODILO QUE VOA                                        
ESTADO CIVIL                                               
FALAR É FÁCIL                                              
MPB.PT                                                     
NADA DE DOIS                                               
NADA DE MELANCOLIA                                         
NÃO É FÁCIL DIZER BEM                                      
NOVAS CRÓNICAS DA BOCA DO INFERNO                          
SOB CÉUS ESTRANHOS- UMA HISTÓRIA DE EXÍLIO
PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO (BOLSO)                  

Viagens
CADERNO AFEGÃO                                              
DISSE-ME UM ADIVINHO                                       
HISTÓRIAS ETÍOPES
O JAPÃO É UM LUGAR ESTRANHO                                
MORTE NA PÉRSIA                                            
NOVA IORQUE                                                 
PARIS                                                      
UMA IDEIA DA INDIA                                         
VENEZA                                                     

História
BREVE HISTÓRIA DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA                  
CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES                
CHURCHILL                                                  
ENTREVISTAS DE NUREMBERGA                                  
ESPIONAGEM NA GUERRA                                        
HISTÓRIA DA CHINA                                          
HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA PORTUGUESA                  
HISTÓRIA VIRTUAL 
INFILTRADO NA AL-QAEDA                                                                                                                                                                                                                                                                                   
MÁSCARA DO COMANDO                                         
O MURO DE BERLIM                                         
O QUE PARECE É                                             
PEQUENA HISTÓRIA DO TEMPO                                  
PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO (BOLSO)                  
TESTEMUNHAS DA GUERRA
UMA HISTÓRIA DA ESCRAVATURA
UMA HISTÓRIA DA GUERRA                                     
PORTUGAL NOW                                               
FAZEDOR DE UTOPIAS (O)-UMA BIOGRAFIA DE AMILCAR CABRAL     

Álbuns
AUTO-RETRATOS DO MUNDO                                     
CHE AUTO-RETRATO                                           
A INVENÇÃO DO CINEMA PORTUGUÊS                          
FOI VOCÊ QUE PEDIU UMA HISTÓRIA DA PUBLICIDADE?            
LISBOA REVOLUCIONÁRIA                                      
PRIMEIRAS PÁGINAS                                          
OS POSTAIS DA PRIMEIRA REPÚBLICA                           
OS CARTAZES DA PRIMEIRA REPÚBLICA

Literatura
OS CADERNOS DE PICKWICK                                   
JACQUES O FATALISTA                                        
DICIONÁRIO DO DIABO                                        
OS FILÓSOFOS E O AMOR
A HISTÓRIA DE UM RAPAZ MAU                                 
A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA                           
OBRA POÉTICA COMPLETA                                      
AS VOZES DO RIO PAMANO                                    
SUA SENHORIA
ENTREVISTAS DA PARIS REVIEW