terça-feira, novembro 30

Estúpido...

Haverá alguma coisa mais irritante do que ver outro fazer, espantosamente melhor, aquilo que nós fazemos?

Livreiro anónimo

Um Traidor dos Nossos


A Grã-Bretanha está mergulhada na recessão. Um jovem académico de Oxford com tendências de esquerda e a namorada gozam férias durante a época baixa na ilha de Antígua. Aí, cruzam-se com um milionário russo chamado Dima, dono de uma península e de um relógio de ouro cravejado de diamantes, que tem uma estranha tatuagem no polegar direito. Desafiados por ele para uma partida de ténis, os jovens amantes ver-se-ão lançados numa tortuosa viagem que os levará a Paris, a uma casa nos Alpes suíços e aos obscuros claustros da City de Londres, onde serão confrontados com a perversa aliança desta com os Serviços Secretos britânicos.

edição: Dom Quixote

título: Um Traidor dos Nossos

autor: John le Carré

tradução: J. Teixeira de Aguilar

formato: 15,5x23,5cm (capa mole)

n.º pág.: 407

isbn: 9789722043595

pvp: 17.95 €

segunda-feira, novembro 29

Não diga isso...


Diz um bom cliente, em tom de desabafo, ao mesmo tempo que coloca no balcão mais um monte de livros:

- Sabe, quanto mais leio menos convicções tenho.

- Não diga isso...

- Garanto-lhe. Não sei porque compro e leio tantos livros.

- Não diga isso...

- Deixei de ter convicções. Olhe, é como dizia o filosofo: «Apenas tem convicções aquele que nada aprofundou».

- Não diga isso...

- Não só o digo, como afirmo: «Felizes aqueles que são ignorantes».

- Estranho…

- O que tem de estranho?

- Nada… apenas estava a pensar alto no que me acabou de dizer.

- Como assim? Pergunta o cliente curioso.

- Não deve ser nada de importante… No entanto, a ser verdade o que diz, não acha que se veria por aí muito mais gente feliz?


Jaime Bulhosa

Transitions in practice: climate change and everyday life


Hoje às 18h30: Conferência e debate Transitions in practice: climate change and everyday life, pela sociólogaElizabeth Shove da Universidade de Lancaster, uma organização ICS-UL e CRIA.

sábado, novembro 27

Ainda vem a tempo


PEQUENOS INVENTORES
Oficina para crianças 4 – 8 anos
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Gostas de inventar jogos, construir brinquedos e descobrir como funcionam as coisas à tua volta? Então convidamos-te a vir conhecer o Noma, um pequeno inventor que decide construir, com a ajuda de cola, tesoura e uma régua, o seu próprio brinquedo: um comboio.À tua espera estará uma história nova e tudo o que precisas para construir com as tuas próprias mãos…um avião! Traz contigo os pais, os avós, os irmãos, os primos e, claro, boa disposição e espírito criativo!São 50 minutos de engenharia inovadora, orientados pela Susana Alves.PARTICIPAÇÃO LIVRE: aparece e constrói, divertindo-te!
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LIVRARIA PÓ DOS LIVROS-27 NOVEMBRO-SÁBADO-11H30
Avenida Marquês de Tomar, 89-Lisboa

sexta-feira, novembro 26

Pagadores de Crises

(clique na imagem para aumentar)

A Livraria Pó dos livros e a Sextante Editora têm o prazer para vos convidar para o lançamento do livro Pagadores de Crises, de José Goulão, com apresentação a cargo de Miguel Portas e Carvalho da Silva. A sessão decorrerá hoje, dia 26 de Novembro, pelas 18h30.

quinta-feira, novembro 25

Crime e Castigo


Um dia uma amiga pediu-me para lhe aconselhar um livro de Dostoiévski. Sugeri-lhe o Crime e Castigo. Ela perguntou-me:
- Porquê esse?

Quem trabalha ou já trabalhou com livros sabe o quanto é difícil aconselhar um clássico e conseguir que a sugestão seja aceite. Ainda mais quando o interlocutor não faz a mínima ideia do que seja um clássico. Na minha opinião, existem várias razões para que isso aconteça, e não é possível explicá-las num pequeno texto. O facto é que basta mencionarmos a palavra “clássico”, que logo o cliente foge a sete pés.
Há muitos anos, trabalhei com um colega que era mestre a aconselhar clássicos. Porém, desconfio de que o próprio só teria lido um.

Parte I
- Por favor, poderia aconselhar-me um livro para eu ler?
- Com certeza, menina. Que tipo de livro é que deseja ler?
- Pode ser um policial.
- Tenho aqui um que vai adorar. O enredo é o seguinte: certo dia, um belíssimo e jovem estudante decide cometer o crime perfeito. Prepara minuciosamente e com muita antecedência o assassinato de uma velha agiota a quem devia dinheiro. Por incrível que pareça, o móbil do crime não era o roubo, nem a vantagem que a morte da vítima podia trazer-lhe. Era apenas o simples prazer, masoquista, de provocar um detective famoso, género Poirot, o qual odiava pela sua perspicácia, inteligência e infalíveis métodos. O livro é um jogo do rato e do gato. Um autêntico duelo psicológico entre assassino e polícia. E não conto mais, para não estragar a intriga.
- Como se chama o livro? - pergunta a cliente, já entusiasmada.
- Crime e Castigo, de Dostoiévski.

Parte II
- Por favor, poderia aconselhar-me um livro para eu ler?
- Com certeza. E que tipo de livro o senhor deseja?
- Pode ser um thriller.
- Lembrei-me agora mesmo de um que li há pouco tempo. É fabuloso… até me dá arrepios, só de pensar nisso. A história é a seguinte: um homem misterioso e ainda novo, com um ar sorumbático, professor de línguas e estudante de direito, tem a teoria de que os seres humanos se dividem em dois tipos: os ordinários e os extraordinários. Os primeiros estão condenados a viver uma vida sem significado e a obedecer, servir e, se necessário, morrer em prol dos considerados extraordinários. Os segundos, aos quais o nosso protagonista julga pertencer, são homens de uma classe à parte. Génios capazes de mudar o mundo com os seus feitos fenomenais, os quais justificariam que eles fossem, sempre, considerados inimputáveis de quaisquer crimes, por mais odiosos, que pudessem cometer em nome de um interesse superior da raça humana. Por causa desta teoria idiota, o terrível psicopata decide assassinar de forma macabra uma pobre velha que vive honestamente, como prestamista. Junto com ela, assassina, barbaramente, com um machado na cabeça (de onde sai sangue por todo o lado), uma irmã deficiente da qual a velha cuida. Por diversas vezes, a polícia quase o captura. Mas sempre que isso está para acontecer, algo de providencial o ajuda a escapar. Nomeadamente, uma bela jovem que por ele se apaixona perdidamente. - Mais não conto, para não estragar o final surpreendente.
- Qual é o título do livro?
- Crime e Castigo, de Dostoiévski.

Parte III
- Por favor, poderia aconselhar-me um livro para eu ler?
- Com certeza, minha senhora. Em que tipo de livro é que está a pensar?
- Pode ser um romance, uma história de amor. Sabe como são as mulheres!... Tão fáceis de fazer verter lágrimas.
- Oh, minha senhora!... Tenho aqui um livro de fazer chorar as pedras da calçada. O romance é o seguinte: um belo rapaz de corpo desenhado, dos seus vinte e poucos anos, no entanto, já maduro, pobre e miserável, vive amargurado, preocupado com a sua pobre mãe e bela irmã, que se prepara para casar, sob chantagem, com um velho e avarento homem de 45 anos. Contudo, o nosso Raskólnikov tudo faz para que a irmã se case antes com um seu amigo e muito bom rapaz, de seu nome Razumíkhin. Infelizmente, as coisas complicam-se, quando Raskólnikov comete, num acto irreflectido, um crime horrendo, de que naturalmente se arrepende. O que lhe vale é ter surgido na sua vida uma bela rapariga, que, embora seja prostituta, o é por uma causa nobre do mais valorizado altruísmo. Depois de muitos anos numa prisão da Sibéria, o… Perdão! Já lhe ia contar o fim do livro.
- Qual é o título do livro?
- Crime e Castigo, de Dostóievski.
Pergunta a cliente, meio desconfiada:
- É quase um clássico?
- Todas as grandes histórias são um clássico.
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Parte IV
- Por favor, poderia aconselhar-me um livro para eu ler?
- Com certeza, meu rapaz. E que tipo de livro deseja?
-Pode ser uma comédia.
-Tenho ali um que é de chorar a rir...
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Jaime Bulhosa

Ao Cair da Noite


Peter e Rebecca Harris, na casa dos quarenta e a viver em Manhattan, aproximam-se do apogeu das suas carreiras em arte: ele, negociante; ela, editora numa boa revista da especialidade. Com um moderno e espaçoso apartamento, uma filha adulta a estudar na universidade em Boston e amigos inteligentes e animados, levam um invejável estilo de vida urbano contemporâneo e parecem ter todas as razões para serem felizes. Mas é então que o irmão de Rebecca surge em cena. Extremamente parecido com ela, mas muito mais novo, Ethan (conhecido na família como Mizzy, "O Erro") resolve visitá-los. Na sua presença, Peter começa a pôr em causa os artistas, o trabalho destes, a sua carreira - todo o mundo que construíra com tanto cuidado. Tal como o aclamado romance "As Horas", vencedor do Prémio Pulitzer, esta nova obra de Cunningham constitui uma visão dolorosa do modo como vivemos hoje em dia. Plena de peripécias inesperadas, faz-nos pensar (e sentir) com profundidade nas utilizações e no significado da beleza e no papel do amor nas nossas vidas. «No seu romance mais concentrado - um enaltecimento agridoce da criatividade humana - Cunningham, mestre da escrita vencedor de um Prémio Pulitzer, combina erotismo e estética para orquestrar uma admirável crise da alma. Inspirando-se em Henry James e Thomas Mann, assim como nos artistas Agnes Martin e Damien Hirst, produz uma história belíssima, espirituosa, filosófica e urbana sobre os mistérios da beleza e do desejo, da arte e da ilusão, do tempo e do amor.»

edição: Gradiva

título: Ao Cair da Noite

autor: MIchael Cunningham

tradução: Ana Falcão Bastos

formato: 15,5x22cm (capa mole)

n. pág.: 307

isbn: 9769896363969

pvp: 14.50€

terça-feira, novembro 23

Obra Poética


A presente edição, agrupando pela primeira vez num único tomo a obra poética da autora, segue e actualiza
os critérios de fixação de texto adoptados na segunda das referidas séries, a série das edições «revistas».
Publica-se igualmente, neste volume, um conjunto de poemas dispersos em revistas, em livros colectivos, em jornais e num cartaz, desde textos que remontam à primeira fase da produção de Sophia, dos anos 1940, até aos últimos poemas escritos em 2001. Alguns destes textos já foram dados a conhecer na antologia Mar, a partir da 5.a edição, saída em 2004 (selecção e organização de Maria Andresen de Sousa Tavares).
Não se inclui no presente volume um número considerável de poemas inéditos, que integram
O espólio da autora, e que aguardam publicação em futura edição crítica.

edição: Caminho

título: Obra Poética

autor: Shophia de Mello Breyner Andresen

formato: 16.5x24cm (capa dura)

n.º Pág.: 920

isbn: 9789722121491

pvp: 49.90 €

segunda-feira, novembro 22

Convite

Realiza-se hoje, às 18h30, na Pó dos livros, a última sessão do ciclo Catalunha em Pó, dedicado à literatura catalã. Em discussão, o livro A Felicidade, de Luís-Anton Baulenas, QuidNovi, tradução de Maria João Teixeira Moreno. Com a presença do autor, Lluís-Anton Baulenas, e de Sebastià Bennasar (jornalista e escritor)

sexta-feira, novembro 19

de tangerina




Paira no ar da Pó dos livros um aroma a tangerina. O fenómeno não é estranho e explica-se com facilidade: acabaram de chegar os livros novos da Planeta Tangerina. Nós, que somos uns curiosos, já os abrimos. Começámos por seguir as setas (1) e fomos parar ao cabeleireiro da Mila (2) que nos cortou o cabelo bem curto. À saída encontrámos o Gatuno e corremos atrás dele pelos quintais (3) das redondezas durante um ano inteiro. Quando finalmente parámos, estávamos mesmo no meio de um Troscocópio(4) e ficámos a vê-lo mudar de forma e de sentido. Qual é o espanto? (5)

Débora Figueiredo.



(1) - Siga a seta!, Isabel Minhós Martins e Andrés Sandoval, Planeta Tangerina, 2010, pvp 12.90.

(2) - Enquanto o meu cabelo crescia, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina, 2010, pvp 13.90.

(3) - Livro dos quintais, Isabel Minhós Martins e Bernardo de Carvalho, Planeta Tangerina, 2010, pvp 12.50.

(4) - Trocoscópio, Planeta Tangerina e ilustração de Bernardo de Carvalho, Planeta Tangerina, 2010, pvp 12.50.

(5) - Qual é o espanto? Agenda 2011 Planeta Tangerina, pvp 9.60.

Às voltas com a autocrítica


Julgo-me pela sensação obrigatória de autocrítica. No início sinto que me compreendo perfeitamente. Então digo: ninguém me conhece melhor do que eu, e fico apaziguado. Depois começo a andar às voltas com a minha própria consciência e, de seguida, sou apanhado num turbilhão de sentimentos contraditórios que me afundam, dividem em dois e me tornam ambíguo. Logo de seguida, lembro-me do provérbio: para podermos julgar alguém, é necessário, antes, colocarmo-nos no seu lugar. Mas quando nos colocamos no lugar do outro, neste caso de nós próprios, sentimos exactamente o mesmo que o outro sente. Tornando, assim, o julgamento impossível. Ora, é precisamente essa incapacidade de me colocar no lugar do outro eu que me impossibilita de autocriticar-me. E volto a apaziguar-me, até recomeçar tudo novamente.

Jaime bulhosa

O Sonho do Celta


O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos - como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

edição: Quetzal

título: O Sonho do Celta

autor: Mario Vargas Lhosa

tradução: Cristina rodriguez

formato: 15x23,5cm (capa mole)

n. pág.: 438

isbn: 9789725649190

pvp: 18.95€

quinta-feira, novembro 18

Introspecção


As pessoas são como os livros, têm exactamente os mesmos inimigos, isto é, o seu próprio conteúdo.

Nota: Devo ter lido isto algures, não me perguntem onde, nem quando.

Jaime Bulhosa

História de uma “História Universal”

Existem objectos que por uma circunstância ou outra, nos acompanham ao longo da nossa vida. A “História Universal” de G. Oncken, editada pela Livrarias Aillaud e Bertrand em 1938 é um desses casos. Conhece-me desde sempre. Nunca ninguém a usou para a finalidade para que foi feita, até pelo facto de estar demasiado desactualizada e incompleta. Mas sobreviveu, teve muitas outras finalidades, foi almofada para ganhar altura numa cadeira para criança, poste de baliza, base para jogar à santinha (jogo de berlinde), garagem de carrinhos, peso para colagens, arma de arremesso e tudo o que a imaginação de um miúdo consegue engendrar. Teria, se pudesse para contar muitas outras histórias em vez da História. Foi-me dedicada mais tarde em 28 de Junho de 1978, pelo meu pai que a comprou por vinte e cinco tostões em 1950 e a salvou, como quem salva um cão estropiado, de um vendedor de castanhas que a amputou dos outros dezasseis volumes enquanto usava as suas páginas para fazer pacotes cónicos de guardar castanhas. Vive agora em minha casa e provavelmente perdurará para além mim.



Jaime Bulhosa


quarta-feira, novembro 17

O Navio dos Homens


O mais revolucionário dos escritores japoneses.

«Vamos até ao inferno.» Começa assim a história do Hakko Maru - um pesqueiro que parte para a faina nas águas gélidas do Kamchatka - e da sua tripulação: um grupo diversificado de lobos-do-mar curtidos e arruinados pela bebida e pelas mulheres, estudantes universitários em dívida com o Estado e camponeses pobres à beira da inanição.
O patrão da expedição pesqueira força os tripulantes a trabalhar até ao esgotamento e aplica-lhes castigos brutais. Espalham-se as sementes da revolta e rebenta o inevitável motim.
Kanikosen - O Navio dos Homens é um clássico da literatura japonesa. Foi publicado pela primeira vez em 1929 e recentemente surgiu nas listas dos livros mais populares porque os leitores modernos identificaram-se com as humildes personagens que protagonizam este romance.

Edição: Clube do Autor

Título O Navio dos Homens

Autor: Takiji Kobayashi

Tradução: Maria João Freire de Andrade

Formato: 16x23,5cm (capa mole)

n.º Pág.: 162

isbn: 9789898452023

pvp: 14.95€

terça-feira, novembro 16

Calafrio


Ler esta passagem, de um texto de um escritor italiano, fez arrepiar todos os pelos do meu corpo. Penso: será esta a nossa própria condição?

Aviso: aqueles que são mais sensíveis não a leiam.

Um cão lambe uma lima, a rugosidade da lima rasga-lhe a língua. O sangue escorre. O Cão ao apreciar o sabor do sangue continua a lamber a lima, apesar da dor que sente, nada o faz parar.

Erri De Luca, Montedidio, 2002

Viva México


«Não sei nada do México e tenho uma mochila.
Este Octavio Paz ou aquele Juan Rulfo? Os dois. Poetas mexicanos contemporâneos ou Roberto Bolãno? Poetas mexicanos contemporâneos.
Uma poeta do mesmo ano que eu: Amanhã é nunca. [...] Ninguém poderá alguma vez dizer que viu a Cidade do México. Quando a começamos ver, calamo-nos, e depois nunca mais acabamos de a ver. Às seis da tarde parece Inverno. Mas não é Inverno, é a estação das chuvas. O Verão começou ontem. O chão brilha.
Os aztecas celebravam a chuva como um deus. Também receberam Cortés como um deus, abrindo os braços ao apocalipse, e por cima do apocalipse o império espanhol ergueu esta cidade. Cinco séculos depois é a mais extensa do mundo. Os mexicanos nem a tratam como cidade. Chamam-lhe D.F. ou simplesmente México.
Tanta gente junta mete medo. […] Na saída, três barraquinhas de “táxis autorizados” competem pelo preço fixo: o equivalente a dez euros até ao centro. E os residentes mais cautelosos não aconselham a trocar pesos no aeroporto desde que um francês foi seguido e assassinado depois do câmbio. Vinha dar aulas à universidade. A Cidade do México é isto: a partir de agora somos bichos em alerta.»

Edição: tinta-da-china

Título: Viva México

Autor: Alexandra Lucas Coelho

Formato: 14,5x20cm (capa dura)

n.º pág.: 369

isbn: 9789896710538

pvp: 17.90€

segunda-feira, novembro 15

Confissão


A Pó dos livros tem o privilégio de anunciar a nova editora alfabeto, que será apresentada ao público apenas em Janeiro de 2011. No entanto, foi-nos dada a possibilidade de fazer, aqui neste blogue, a pré-publicação do seu primeiro livro que, curiosamente, será lançado no mercado já próximo mês de Dezembro.


LEV TOLSTÓI

CONFISSÃO

(Prefácio para uma obra não publicada)

Tradução, comentário e notas: Nina Guerra e Filipe Guerra

Em russo no original: Íspoved

1

Fui baptizado e educado na crença cristã ortodoxa. Ensinaram-me esta crença tanto na infância, como durante toda a minha adolescência e juventude. Porém, quando aos dezoito anos abandonei o segundo ano do curso universitário[1], já não acreditava em nada do que me tinham ensinado.

A julgar por algumas recordações, nem sequer tive uma fé a sério, nunca, apenas confiança naquilo que me ensinavam e naquilo que os adultos à minha volta professavam; contudo, era uma confiança muito instável.

Lembro-me de que, pelos meus onze anos aproximadamente, um rapaz de nome Volódenka M.[2] — há muito falecido —, aluno do liceu, nos visitou num domingo e nos anunciou como última novidade uma descoberta feita no liceu. A descoberta consistia em que Deus não existia e que todos os ensinamentos que nos davam não passavam de fantasias (foi no ano de 1838). Lembro-me de que os meus irmãos mais velhos ficaram interessados com esta notícia e, reunindo conselho, também me convidaram. Estávamos todos muito entusiasmados e encarámos a notícia como muito curiosa e bastante possível.

Recordo ainda que, quando Dmítri, o meu irmão mais velho, estudante universitário, de repente e com o arrebatamento próprio dele, se entregou à fé, começando a assistir a todos os ofícios, a cumprir as abstinências, a levar uma vida pura e moral, todos nós, inclusive os adultos, não deixávamos de o ridicularizar e alcunhámo-lo, sabia-se lá porquê, de Noé. Lembro-me de que Mússin-Púchkin[3], que naquela altura superintendia a Universidade de Kazan, nos convidou para um baile em sua casa e tentou persuadir o meu irmão, que se recusava a ir, alegando com ironia que o próprio David dançara diante da Arca[4]. Quanto a mim, solidarizava-me com essas brincadeiras dos adultos e tirava delas a conclusão de que era preciso aprender a catequese, era preciso ir à igreja, mas não valia a pena levar tudo isso demasiado a sério. Recordo também que, ainda muito jovem, li Voltaire e que os seus sarcasmos não só não me indignavam, mas divertiam-me muito.

O meu afastamento da fé sucedeu da mesma forma que acontecia e continua a acontecer actualmente entre as pessoas do nosso tipo de educação. Ao que me parece, na maioria dos casos, ocorre da forma seguinte: as pessoas vivem como toda a gente, sendo que toda a gente vive na base de princípios que não só nada têm em comum com a doutrina religiosa, mas são, ainda por cima, contrários a esta; a doutrina religiosa não participa da vida, e nunca nos sucede lidar com ela nas relações com as outras pessoas nem nos serve de aconselhamento na nossa própria vida; digamos que esta doutrina se professa algures longe da vida e independentemente da vida. Entramos em contacto com ela enquanto fenómeno exterior, apenas, de modo algum ligado à vida.

Nunca é nem foi possível, hoje como no passado, perceber-se apenas pela maneira de viver de uma pessoa se ela é crente ou não. Se existe uma diferença entre aqueles que, com toda a evidência, professam a crença cristã ortodoxa e aqueles que a negam, tal diferença não é a favor dos primeiros. Tanto hoje como no passado, o claro reconhecimento e profissão da crença ortodoxa nota-se na maioria das vezes entre as pessoas mais broncas, cruéis e imorais, mas que se consideram muito importantes. Ora, a inteligência, a honestidade, a bondade e a moral encontram-se, na maioria dos casos, entre as pessoas que se reconhecem descrentes.

Nas escolas ensinam a catequese e mandam os alunos à igreja; exigem que os funcionários públicos apresentem provas de terem comungado. Mas o homem do nosso círculo, se já não estuda nem está no serviço público, nos nossos tempos, e ainda mais antigamente, pode muito bem passar décadas sem alguma vez se lembrar de que vive entre cristãos e, ele próprio, ser considerado adepto do cristianismo ortodoxo.

Logo, tanto agora como antigamente, a doutrina religiosa aceite por confiança e seguida sob uma pressão exterior, vai minguando, a pouco e pouco, sob a influência dos conhecimentos e da experiência da vida contrários à doutrina, e o homem, muitas vezes, vive anos e anos imaginando que a doutrina religiosa que lhe foi comunicada na infância está intacta nele, quando já não existe sequer a sombra dela.

O senhor S.[5], homem inteligente e bom, contou-me como deixara de ter fé. Tinha vinte e seis anos. Andava ele de caçada e ao fim do dia, quando se deitava para a pernoita, começou a dizer a oração nocturna que, por velho hábito, rezava desde a infância. O seu irmão mais velho, que o acompanhava na caça, estava deitado no feno a olhar para ele. Quando S. acabou a reza e foi deitar-se, o irmão disse-lhe: «Então, ainda costumas fazê-lo?»

E não disseram mais nada. Desde esse dia, S. deixou de rezar e de ir à igreja. Há trinta anos que não reza, não comunga nem vai à igreja. Não é porque estivesse a par das convicções do irmão e as partilhasse, nem porque, no fundo da alma, decidisse alguma coisa, mas apenas porque a palavra dita pelo irmão foi como que o empurrão com um dedo na parede prestes a cair sob o seu próprio peso; essa palavra foi o sinal de que no lugar onde acreditava haver fé já só estava um vazio e de que, por isso, as palavras que pronunciava, os sinais da cruz e as reverências que fazia durante a oração eram actos completamente privados de sentido. Ao tomar consciência dessa falta de sentido, não podia continuar a executá-los.

Era isto que acontecia e é isto que está a acontecer, acho eu, a um grande número de pessoas. Falo das pessoas com a nossa educação, das pessoas sinceras consigo próprias, e não daquelas que tornam o próprio objecto da fé um meio de conseguirem objectivos pontuais, quaisquer que sejam. (São estas pessoas que constituem os mais rematados descrentes, porque se a fé for para elas um meio de conseguirem quaisquer objectivos práticos, essa fé, pura e simplesmente, não é fé nenhuma.) Voltando às pessoas da nossa educação, direi que se encontram numa situação em que a luz dos conhecimentos e da vida já derreteu nelas a edificação artificial; e então, ou elas já tomaram consciência disso e libertaram o lugar, ou então ainda não se deram conta desse facto.

A doutrina da fé que me foi transmitida desde a infância desapareceu em mim da mesma maneira que nos outros, com a única diferença de que, por ter começado a ler e a pensar muito cedo, a rejeição da doutrina por minha parte se tornou consciente também muito cedo. Desde os meus dezasseis anos que deixei de rezar e, por minha própria vontade, de ir à igreja e de comungar. Deixei de acreditar no que me foi transmitido na infância, mas tinha fé em qualquer coisa. Não poderia dizer de maneira alguma em que, precisamente, tinha eu fé. Tinha fé também em Deus, ou antes, não negava Deus, mas que Deus? — não o saberia dizer; também não negava Cristo e o seu ensinamento, mas também não saberia dizer em que consistia o seu ensinamento.

Agora, recordando aqueles tempos, vejo claramente que a minha fé — aquilo que, além dos instintos animalescos, movia a minha vida —, a minha única fé daqueles tempos era a do aperfeiçoamento. Contudo, não saberia dizer em que consistia o aperfeiçoamento e qual era o objectivo dele. Tentava aperfeiçoar-me intelectualmente — aprendia tudo o que me era possível e o que me sugeria a vida; tentava aperfeiçoar a minha vontade — elaborava regras para mim próprio, procurando segui-las; aperfeiçoava-me fisicamente, apurando a força, a destreza e, por meio de todo o género de provações, criando hábitos de resistência e de paciência. E considerava tudo isso um aperfeiçoamento. O princípio de tudo era, obviamente, o aperfeiçoamento moral, mas não tardava a substituí-lo pelo aperfeiçoamento em geral, ou seja, pelo desejo de ser melhor, não perante mim ou perante Deus, mas de ser melhor perante os outros homens. Então, esta aspiração de ser melhor perante os outros foi rapidamente suplantada pelo desejo de ser mais forte do que eles, quero dizer: mais famoso, mais importante, mais rico.

COMENTÁRIO

O ensaio autobiográfico Confissão foi escrito por Lev Tolstói, essencialmente, em finais de 1879, foi refeito pelo autor no início de Julho de 1881 e concluído em 1882. Foi publicado pela primeira vez em Genebra, em 1884. Na verdade, este ensaio é um fragmento de uma obra que Tolstói começou a escrever em Outubro de 1879 e na qual expõe os seus conceitos filosóficos e religiosos; tinha de preceder a apresentação ao leitor das obras O Estudo da Teologia Dogmática (1879-1880, 1884) e A Junção e a Tradução dos Quatro Evangelhos (1880-1881).

O problema do sentido da vida, um sentido que a morte inevitável não elimina, foi importante para Tolstói muito antes da redacção deste ensaio. A procura da solução deste problema era naturalmente condicionada pela ideia da união das pessoas, na base dos princípios eternos da moral: ao primeiro plano sai a questão da discrepância entre o ideal da moral e a ética prática das pessoas.

A noção de virtude humana ia mudando historicamente. Às quatro virtudes da Grécia Antiga — a sabedoria, a coragem, a justiça e a moderação — a ética cristã opôs a fé, a esperança e o amor, condicionando todas as outras aspirações ao bem. Contudo, tanto no mundo antigo como no moderno, estavam ligadas ao conceito de virtude as qualidades morais do indivíduo. Também continuava imutável o problema das noções deturpadas da virtude, aparentemente opostas ao vício, mas iguais a este na sua essência.

Tolstói relacionava a deturpação das noções da virtude com a comunidade social das pessoas que denominava como «a classe culta», ligando a verdadeira virtude com o mundo dos camponeses, com o povo trabalhador russo, com o qual «se fundiu», de acordo com as suas palavras.

Esta antítese ético-social, formada no início do caminho artístico de Tolstói, predeterminou o futuro esclarecimento por parte do escritor das fontes da auto-educação espiritual e a interpretação do «verdadeiro» cristianismo como uma doutrina humanista, comum a toda a humanidade pelo seu fundamento ético inicial.

A eliminação das discrepâncias entre o existente e o devido foi colocada por Tolstói na dependência directa do esforço interior do indivíduo, apresentando, deste modo, o aperfeiçoamento moral como o princípio essencial no caminho de superar o mal e chegar ao bem. O processo desta superação era entendido por ele como a mudança da compreensão do mundo, como a atitude do homem para com o mundo.

O caminho para a nova compreensão do mundo é apresentado em Confissão como uma série de estados de espírito sucessivos, que culmina na obtenção da fé. A fé é definida por Tolstói como a força da vida, como o conhecimento do seu sentido. O ponto de partida neste caminho baseia-se no reconhecimento de que tudo o que existe é racional, dirigido pelas tentações, motivado pelo desejo do bem comum, mas compreendido de modo deturpado, e justificado pela opinião geral. No texto de Confissão, estão ligadas com este período inicial as «saídas» do epicurismo e da ignorância.

O estado de espírito, para cuja descrição Tolstói passa a seguir, não começa com a revolta da razão, mas sim com a do coração, com a sensação de uma doença espiritual e o surgimento das contradições interiores. Daqui provém um brusco enfraquecimento das tentações. O movimento nesta parte do caminho é acompanhado pelas «paragens» da vida, pela alternância de «ressurreições» e «agonias», pela bipartição. A crise de «paragem» ligada com a negação da vida é explicada como o reconhecimento da irracionalidade de tudo o que existe, com a afirmação da vaidade das tentações e com a consciencialização da vida como mentira, o mal e o absurdo. Precisamente nesta fase acontece a consciencialização da visão da vida já rejeitada, igualando-a simbolicamente à tentação da «doçura».

A consciência da dificuldade não apenas da passagem de uma compreensão da vida para outra, mas também do movimento progressivo dentro de cada uma destas atitudes condicionou a concentração de Tolstói, escritor e publicista, nos anos entre 1860 e 1870, na investigação da fase da evolução espiritual do homem, precedente à obtenção da fé.

O género confissão, na obra de Tolstói, não foi algo de inesperado. Durante toda a vida sentiu necessidade de auto-análise e de confissão. Existem no seu diário, escrito durante sessenta anos, nas suas cartas, em esboços filosóficos não acabados dos anos de 1860-1870 e, finalmente, em toda a sua obra literária.


[1] Em 1844, Tolstói entrou na faculdade de Estudos Orientais da Universidade de Kazan; passado um ano passou a estudar na faculdade de Direito. Abandonou a universidade em 1847.

[2] Vladímir Miliútin (1826-1855), mais tarde professor de Direito na Universidade de São Petersburgo. Literato e cientista talentoso. Suicidou-se aos vinte e nove anos, por causa dos problemas pessoais.

[3] Mikhail Mússin-Púchkin (1795-1862).

[4] A Arca da Aliança, do Senhor ou de Deus, como é denominada na Bíblia. A referência à dança consta do II livro de Samuel, 6, 14: «E David saltava com todas as suas forças diante do Senhor: e estava David cingido de um éfod de linho.» Sobre a dança de David junto à Arca de Aliança, durante a transferência desta para Jerusalém, ver também: Segundo Livro dos Reis, 6: 16, 21.

[5] Serguei Tolstói, irmão de Lev Tolstói. Na verdade, as palavras do irmão mais velho foram: «Ainda continuas a fazer esse namázi?» (Obras Completas, Moscovo, 1928-1958, t. 23, p. 489)

Pan


Pan é, desde a sua publicação, um dos livros mais apreciados e amados de Knut Hamsun. Uma obra-prima da literatura, onde «a natureza fala na língua subtil e sonhadora de um breve e idílico Verão nórdico». Através dos papéis encontrados depois da sua morte, o tenente Glahn relata-nos a sua trágica paixão pela jovem Edwarda, num crescendo de exaltação que invade e se confunde com a paisagem envolvente, tornando-se difícil distinguir entre natureza e psique.

edição: Cavalo de Ferro

título: Pan

autor: Knut Hamsun

tradução: João Cruz e Mário Cruz

formato: 15x22,5cm (capa mole)

n.º pág.: 183

Isbn: 9769896231408

Pvp: 18.00€

quinta-feira, novembro 11

A coisa que mais dói no mundo


Andei durante imenso tempo a ler ao meu filho mais novo, um livro que tinha como mensagem principal qualquer coisa como isto: A coisa que mais dói no mundo é a mentira.
- Olha filho, desculpa! Andei a mentir-te este tempo todo. A verdade pode ser mil vezes mais cruel.

Jaime Bulhosa

Popville


Ao enveredar pela técnica pop-up, alguns autores não têm conseguido resistir à construção de uma espécie de livro-espectáculo, onde cores, formas e volumes se atropelam e lutam ruidosamente entre si até não restar um único espaço de silêncio e respiração. Tavez isto explique a recepção que Popville teve a nível mundial. Um livro que surgiu contracorrente, numa verdadeira lição dessa rara sobriedade e elegância gráfica. Uma espantosa estreia de Anouck Boisrobert e Louis Rigaud.
Quem já o fez, sabe que basta abrir a primeira página deste livro, onde a quietude de uma paisagem pontificada por uma igreja isolada, acompanhada por algumas árvores, é um primeiro parágrafo extremamente bem conseguido de uma narrativa sobre a evolução de uma paisagem urbanística, desarmante na sua simplicidade, onde sentimos a passagem do tempo página após página.

Edição: Bruaá

Título: Popville

Texto: Joy Sorman

Ilustrações: Anouck Boisrobert e Louis Rigaud

Formato: 19,5x26cm (capa dura)

Isbn: 9789898166074

Pvp: 16.50€

quarta-feira, novembro 10

Histórias Daqui e Dali


« diz-se em uruguaio quando se procura afirmar com ênfase, e respondeu Mario Benedetti quando a decência perguntou se havia que arriscar pelos pobres, pelos fracos, pelos condenados da terra, pelos que não tinham direito à alegria, pelos que sonhavam com uma existência justa, por uma palavra "amanhã" plena de sentido.»

Esta frase, que dá início a uma das histórias que Luis Sepúlveda recolhe neste livro, resume perfeitamente tanto o espírito que guia a vida do autor chileno, como as suas palavras. Palavras seguras, potentes mas sussurrantes, que sempre nos interrogam sobre o estado do mundo e das suas gentes. Foi essa interrogação constante que consagrou Luis Sepúlveda como um dos mais originais escritores de língua castelhana.

Nestas 25 histórias somos transladados para diversos cenários, distintas situações, países daqui e dali, mas as palavras do autor remetem-nos sempre para um mesmo território literário: o território dos derrotados que se negam a aceitar a derrota. Um território bem conhecido dos leitores de Luis Sepúlveda que, neste livro, se reencontrarão com algumas das melhores passagens da sua extensa obra literária.

edição: Porto Editora

título: Histórias Daqui e Dali

autor: Luis Sepúlveda

formato: 13x19.5cm

n.º pág.: 158

isbn: 9789720043122

pvp: 14.54€

terça-feira, novembro 9

Isto explica tudo


Entra um cliente com uma aparência de exterioridade, como se estivesse meio perdido, desorientando, talvez por ter tanto livro à sua volta. Aproxima-se do balcão e, surpreendentemente, mantém-se em silêncio.

O livreiro espera. Na ausência de qualquer reacção por parte do cliente, não tem outro remédio senão fazer a pergunta de praxe:

- Bom dia, que livro deseja?

O cliente pensa, reflecte demoradamente e, finalmente, responde.

- Um livro sobre aquilo que de facto me interessa.

- E, posso perguntar-lhe o que lhe interessa?

- Tudo.

Luka e o Fogo da Vida


Numa bela noite estrelada, na cidade de Kahani, em terras de Alifbay, aconteceu uma coisa terrível: o pai de um rapaz de doze anos chamado Luka, o contador de histórias Rashid, mergulhou súbita e inexplicavelmente num sono tão profundo que não havia quem conseguisse acordá-lo. Para o salvar de se sumir por completo, Luka tem de empreender uma jornada pelo Mundo Mágico, deparando pelo caminho com um sem-número de fantasmagóricos obstáculos, a fim de roubar o Fogo da Vida, uma tarefa aparentemente impossível e extremamente perigosa.
Com Harun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie creditou-se como um dos melhores contadores de fábulas contemporâneas, e o livro revelou-se uma das suas obras mais populares junto de leitores de todas as idades. Se Harun foi escrito como presente para o seu primeiro filho, Luka e o Fogo da Vida, a história do irmão mais novo de Harun, é uma prenda para o segundo filho, por ocasião do seu décimo segundo aniversário.

edição: Dom Quixote

título: Luka e o Fogo da Vida

autor: Salman Rushdie

tradução: J. Teixeira de Aguilar

formato: 15.5x23,5cm

isbn: 9789722043335

pvp: 15.60 €

sexta-feira, novembro 5

Memórias


As memórias dos factos mais marcantes das nossas vidas são extensas. Mantém-se, por vezes, quase de forma indelével no nosso ser. Há livros que leio e cujas ideias se desvanecem da minha mente, tão fugazes como a imagem de um rosto de um qualquer transeunte inusitado, com quem me cruzo no passeio a caminho do trabalho. Porém, as memórias dos grandes livros, aqueles que nos cunham e timbram o carácter, são como rochas. Ou como aquelas pessoas, preciosas, que nos fixam sentimentos, criam laços; e essas memórias apenas se corroem, se atenuam, com muito tempo e longa distância.

Jaime Bulhosa

a primavera há-de chegar, bandini


Retrato vibrante, terno e cheio de humor de um adolescente turbulento que tenta escapar às pressões dos conflitos familiares, da pobreza e da religião numa pequena cidade do Colorado durante a Grande Depressão, A Primavera Há-de Chegar, Bandini conta a história de um Inverno na vida de Arturo Bandini, o filho mais velho de uma família de imigrantes italianos. Com a sua descrição intensa e evocativa de amores trágicos, infortúnio e adolescência em alvoroço, o primeiro romance do quarteto Bandini é um livro de culto da moderna literatura norte-americana.

Edição: AHBA

Título: A primavera há-de Chegar, Bandini

Autor: John Fante

Tradução: Rui Pires Cabral

Formato: 13,5x21cm (capa mole)

n.º pág.: 223

isbn: 9789899634077

pvp: 17.95 €

quarta-feira, novembro 3

Originalidade


Pensei em escrever um texto com uma ideia verdadeiramente original. Com uma daquelas ideias para ser partilhada no facebook por dezenas de pessoas, talvez mesmo centenas, porque não milhares. Porém, à medida que ia matutando na originalidade das ideias, deparo-me com a dolorosa decepção de todas elas já terem sido formuladas, algures, por alguém. Estou num impasse de inspiração…

Viva! Fez-se luz. A verdadeira originalidade não está em ter uma ideia original, mas sim pensá-la, novamente, originalmente. Genial.

Nota: A genialidade desta ideia foi inspirada por Goethe

Jaime Bulhosa

O Vice-Rei de Ajudá


D. Francisco veio de S. Salvador da Baía em 1812 e, durante mais de trinta anos, foi o melhor amigo do rei do Daomé, mantendo-o abastecido de rum, tabaco, coisas finas e espingardas Long Dane, que não eram feitas na Dinamarca mas em Birmingham. Como recompensa por estes favores, gozava do título de Vice-Rei de Ajudá, do monopólio da venda de escravos, duma adega de Chateau Margaux e dum inexaurível serralho de mulheres. Quando morreu, em 1857, deixou sessenta e três filhos mulatos e um número desconhecido de filhas cuja progenitura, cada vez mais escura, hoje incontável como gafanhotos, se estende de Luanda ao Quartier Latin.
É sobre esta fabulosa personagem e o seu cruel universo — Ajudá, onde os portugueses ergueram a Fortaleza de S. João Baptista, foi um importante porto do tráfico de escravos — que Bruce Chatwin constrói este seu romance. Entre a ficção e a realidade, O Vice-Rei de Ajudá leva-nos a um estranho país em que os soldados são ferozes amazonas, o poder é absoluto e imprevisível e a feitiçaria e a morte são a realidade quotidiana. O Vice-Rei de Ajudá foi adaptado ao cinema por Werner Herzog no filme Cobra Verde.

Edição: Quetzal 2010 (1.ª edição 1980)

Título: O Vice-Rei de Ajudá

Tradução: Carlos Leite

Formato: 15x23cm (capa mole)

n.º pág.:141

isbn: 9789725649053

pvp: 12.95€